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domingo, 25 de janeiro de 2015

Língua Brasileira

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a língua à margem da norma, porém submersa em si mesma 


Problemáticas acerca da língua no Brasil


Já apareceu como possibilidade a denominação “língua nacional” e “língua brasileira” nos debates para as Constituições de 1824, 1890 e 1946, mas não chegou a ser concretizada. A identidade da nossa língua fora defendida por personalidades ilustres, como: José de Alencar, Said Ali, Macedo Soares, Mário de Andrade, entre outros. Com destaque ao romancista Alencar, perceba nos trechos a seguir, extraídos, respectivamente, dos pós-escritos de Diva e Sonhos D’Ouro que ele estava certo de que não se pode separar a língua dos seus usuários, de modo que os idiomas encarnam, acompanham e refletem os destinos das nações a que servem, que transplantada para o Brasil, a língua portuguesa tinha, irrefreavelmente, de diferençar-se da língua praticada em Portugal: A língua é a nacionalidade do pensamento como a pátria é a nacionalidade do povo, não é obrigando-a a estacionar que hão de manter e polir as qualidades que porventura ornem uma língua qualquer; mais sim fazendo que acompanhe o progresso das idéias e se molde às novas tendências do espírito humano (...). Desse modo não somente se vão substituindo aquelas edições que, por antigas e desusadas, caducam, como se estimula o gosto literário, variando a expressão que afinal de tanto repetida se tornaria monótona. De resto, essa é a lei indeclinável de toda a concepção do espírito humano, seja simples idéia, arte ou ciência: progredir sob pena de aniquilar-se ”. “O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?"
No Brasil o padrão de língua estabelecido é baseado nos textos literários lusitanos do século passado, eis aí a problemática, com tentativa de resolução no chamado “Novo Acordo Ortográfico”. Vale salientar que um dos principais fatores que motivou este acordo fora nossa predominância lusofônica, pois representamos mais de 80% dos indivíduos que falam o português, também a influencia do nosso falar sobre outros países lusófonos, devido à expansão da indústria televisiva brasileira.
Nosso idioma, tecnicamente, pode ser considerado uma variante do português e, historicamente, teve sua evolução separada a partir do século XVI devido à miscigenação das línguas que já existiam aqui com as que vieram de fora, e hoje apresenta diferenças estruturais importantes, de ordem lexical, sintática, morfológica e fonética em relação à língua colonizadora. Esta diferença gera incorrespondência entre o padrão e a nossa fala, caracterizando-a como uma fala marginal (não oficial). Portanto necessitamos dum padrão de língua baseado no que falamos aqui.
Quando nos comunicamos através da fala pensamos simultaneamente, assim se dá o encadeamento da linguagem, e pensamos na língua que nos utilizamos ­– em que outra haveríamos de pensar? –, veja que quando aprendemos outro idioma e ao se utilizar dele para se comunicar, pensamos conforme a sintaxe deste idioma. Então que a problemática da língua no Brasil não somente gera um prejuízo à comunicação, mas também ao pensamento de modo geral. Veja o que diz o historiador Jean Baptiste Nardi sobre a língua brasileira, em seu artigo “Cultura, Identidade e língua nacional no Brasil: uma utopia?”: “Negada a possibilidade de expressão pela língua falada na sociedade - por não corresponder à língua de comunicação oficial - limita-se o pensamento. O discurso permanece no nível do solilóquio, das relações familiares ou da vizinhança. A sociedade perde assim a oportunidade de aprender sua mundividência, um pouco dela mesma. Se a língua de comunicação, oficial e ensinada, é muito diferente da língua falada, ela introduz confusões na expressão e, simultaneamente, no pensamento: o indivíduo  não pode pensar de maneira clara e lógica. Em conseqüência, a sociedade perde outra oportunidade que é aumentar suas capacidades de conviver em harmonia com o meio e a desenvolver-se. Em outras palavras, a língua que não permite a completa expressão do pensamento não é representativa da sociedade da qual pertence; ela cria uma situação contrária aos interesses da mesma sociedade”.
Em suma, uma língua oficial que não leva em consideração as transformações derivadas do uso, perde sua representatividade, sua capacidade de coesão e sua finalidade que é ser o instrumento de expressão da sociedade. Como, nessas condições, não acreditar na necessidade de reformas na língua oficial do Brasil?