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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Só Padre Sérgio pode nos salvar!

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Quem não se incomodou com a situação da Santa Casa atualmente pode atirar a primeira pedra. Se você não passou apertado nos últimos tempos ao precisar de atendimento médico em Francisco Morato, certamente conhece alguém que passou. Já há muito tempo que a Santa Casa é o mais importante, senão único centro de atendimento médico aqui e bem ou mal faz muita falta. Se você não faz ideia do que se trata aqui, certamente estava em outra cidade, estado ou planeta nestes últimos meses (assim como muitos “jornais” de nossa cidade). Mas a verdade é que a greve pela qual passou o hospital é apenas a ponta de um iceberg muito maior e muito mais velho que está fincado no alto daquele morro. Marcada desde a sua origem (e até antes), a história da Santa Casa é pautada por uma série de estórias nebulosas e cheias de percalços, rios de dinheiro jogados fora, má administração e conversas de alcova em que talvez apenas Deus mesmo saiba de toda a verdade.
Dizer que a situação pela qual passa a Santa Casa hoje é culpa da atual administração é no mínimo ser oportunista e insensato. O mais certo seria dizer que a culpa é de todas as administrações que passaram pela prefeitura até agora. Desde a sua fundação até nossos dias, acredito que ninguém resolveu de fato a situação da Santa Casa e esta vem se arrastando e engordando a bola de neve que agora, mais um vez, estoura no colo da população moratense. Pra quem não se lembra, já na fundação do que hoje é a Santa Casa, a história já começou nebulosa e o ônus se mostrou pesado. Conforme noticiado pelo jornal “A Semana” de 01 de Junho de 1990, na edição de número 448, e pela Folha de São Paulo (12 e 13 de junho de 1990) e no SBT, em um pouco mais de um ano desde a sua fundação, a Santa Casa já se viu no meio de um grande escândalo envolvendo autoridades de nossa região, dinheiro do então INAMPS e interesses escusos. O caso todo se deu por conta da compra do que hoje é a Santa Casa pela prefeitura por uma incrível bagatela de Cr$ 39 milhões. Até aí parece pouco se não fosse o caso da prefeitura poder ter tomado de volta o hospital, sem pagar nada, por quebra de contrato. “Na verdade, a Prefeitura recebeu em doação o referido terreno da Irmandade Coração de Jesus para a construção de um hospital com 140 leitos. Não podendo arcar com as despesas, fez licitação pública, vencida pelo SAM, que comprometia-se a realizar a obra no prazo de 12 meses, o que não cumpriu.(...)” - noticia o “A Semana”. Ainda segundo o jornal: “Mesmo sem cumprir os prazos estabelecidos em Lei, o SAM prosseguiu na posse do terreno e do hospital, sem que os prefeitos Valdir Antonio Martins (1977/1982) (...)e Cassiano Passos (1983/1989)(...), pleiteassem o retorno do terreno à municipalidade”. Após uma auditoria em que se comprovou irregularidades no convênio do SAM com o INAMPS, a quebra desse convênio, jogou a Santa Casa em uma crise que a deixou em situação de quase falência. Mudanças no cenário político, com a eleição de Claudino para a prefeitura e a necessidade de se resolver de algum modo a questão, levaram o hospital mais uma vez ao centro dos interesses políticos. Conforme matéria do referido jornal, “A resposta encontrada foi a compra do SAM pela municipalidade, já que um ato do ex-prefeito Cassiano, assinado em 08/12/88 transferira a propriedade do hospital ao SAM, utilizando-se do convênio de municipalização da saúde que, estranhamente, Claudino apressou-se em assinar enquanto cidades como Caieiras e Franco da Rocha ainda resistiam.(..)”. Ainda segundo o jornal “A Semana”, “O resultado foi que, de um lado, a Santa Casa permaneceu como única conveniada do INAMPS na cidade. De outro, Moreno, Wail e Milton Neves [donos da SAM] livraram-se de um hospital em estado falimentar, construído em terreno público, e ainda embolsando um bom dinheiro por algo que, afinal, sequer se poderia dizer que, de fato, lhes pertencia”.
De lá pra cá, a Santa Casa ainda passou por diversas crises e problemas que foram se acumulando e tivemos agora mais um resultado de todas essas manobras feitas por baixo do nariz da população. A mais recente, dizem, teve início na administração da ex-prefeita Dra. Andréa, que em entrevista ao portal Cajamar Net (14 de Janeiro de 2005) afirmou: “A Santa Casa, atualmente, é uma grande máquina onerosa e ociosa”. Segundo o que circula, dada a intervenção do poder público municipal na Santa Casa e ao repassar verbas para a mesma, a prefeitura teria condicionado este repasse à contratação da empresa S.M. Consultoria S/C LTDA para administrar os recursos e a própria Santa Casa. Ou seja, para que a Santa Casa pudesse receber os já minguados repasses de verbas, teria que se submeter a gestão imposta pela S.M. que embolsaria por essa “consultoria” a merreca de R$ 82.000,00 por mês. Comenta-se muito a respeito da idoneidade da referida empresa e sobre os reais motivos de sua estada na Santa Casa, mas (coincidência ou não) ao se fazer uma pesquisa simples na internet sobre o nome de seu diretor Dr. Wedner Souza da Costa, vemos este mesmo nome figurar em diversos sítios, desde reportagens sobre operações da polícia federal (Jaleco Branco e Navalha), como denunciado, até a lista de conselheiros do Esporte Clube Bahia, passando ainda pelo cargo de presidente do Sindicato Nacional das Cooperativas de Serviços Médico e coberturas da vida social baiana. Pra quem duvida, basta passar na parte da manhã por lá e perguntar pelo Dr. Wedner que viaja de avião todos os fins de semana para a Bahia para visitar a esposa (se é que encontrarão ele lá ainda); ou ainda ir ao sítio do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (cnes.datasus.gov.br) e procurar pelo nome do referido profissional. Com isso tudo, eu posso apenas concluir que das duas, uma: ou esse nome tão peculiar é muito popular na Bahia ou então são coincidências demais.
De um modo ou de outro, o fato é que a dívida da Santa Casa já está chegando na camada de ozônio e, mais um vez, a beira da falência, o hospital passa por uma situação desesperadora e incomum. Por um lado, a prefeitura parece não querer se envolver com o assunto, provavelmente por não querer pagar a conta de algo que não reconhece como problema seu; de outro, o Estado, cansado de cobrir com dinheiro os rastros de má administração e não reconhecendo a parceria com a S.M., se nega a mandar mais dinheiro; e por último a pouca diretoria que sobrou da sociedade beneficente, responsável pelo hospital, não parece ter competência se quer para administra uma barraca de cachorro-quente. Resultado disso: profissionais com salários atrasados por três meses, falta de equipamentos básicos (e mínimos) para o atendimento da população, instalações precárias e a beira do colapso e o mais evidente, a greve e o fechamento das portas, na prática. Como se isso tudo já não fosse ruim o suficiente para toda a população moratense, os demais hospitais da região (para onde correram todos que puderam atualmente) não estão em condições melhores e acredito que não irá tardar para vermos os resultados desastrosos disso tudo.
O pior é perceber que uma boa parcela da culpa pelo colapso da Santa Casa é da própria população que agora paga a conta da crise do hospital. Ao não votar, ao não participar dos assuntos da cidade (exigindo e cobrando), ao não fazer a sua parte de dever cívico, ao engordar as filas do hospital atrás apenas de um atestado pra poder faltar no trabalho, ao agredir verbal ou fisicamente funcionários do hospital, ao não cuidar da sua própria saúde enquanto a tem; saiba que você está ajudando a piorar um sistema de saúde e um hospital que já não vai bem das pernas há muito tempo. Mas agora que a bomba estourou, talvez o melhor mesmo seja se mudar para alguma cidade pacata do interior, onde menos gente talvez signifique mais tranquilidade. Pagar plano de saúde? Só se você quiser passar mais raiva ainda. Eu particularmente acho que o melhor mesmo é rezar, aliás rezar muito para que alguém lá em cima ajude a resolver essa situação de vez. Alguém que se envolveu muito no passado com o problema que enfrentamos agora. Alguém que com certeza se preocupava realmente com o bem estar da população e fez (até mais) sua parte de dever cívico e humanitário. Valei-nos, padre Sérgio!

Por Roger Neves